Projeto BLACK EYE, do designer Taskin Goec, combina criação física, inteligência artificial e produção digital para questionar como os desfiles poderão funcionar no futuro
A inteligência artificial começa a ocupar um espaço que vai além da criação de imagens e chega também às passarelas. Uma experiência apresentada pelo designer berlinense Taskin Goec voltou aos holofotes nesta segunda-feira, 10 de agosto de 2026, ao ser destacada como exemplo de como tecnologia e artesanato podem transformar a apresentação de coleções.
Batizado de BLACK EYE, o projeto foi apresentado pela PLATTE durante a Berlin Fashion Week. O desfile ocorreu no Lobe Block, em Berlim, e marcou o primeiro show solo do designer, conhecido por explorar as fronteiras entre moda física e ambientes digitais.
Mais de 800 convidados acompanharam a apresentação, segundo a publicação especializada Keyi Magazine. A proposta não foi simplesmente usar inteligência artificial para produzir imagens de roupas, mas integrar ferramentas digitais ao processo criativo e à própria construção da experiência apresentada ao público.
Do computador para a passarela
O trabalho de Taskin Goec mistura técnicas tradicionais de moda com ferramentas contemporâneas. Seu processo envolve recursos como inteligência artificial, design 3D, simulações digitais e experiências de realidade mista.
Isso permite que uma peça possa nascer inicialmente em um ambiente virtual antes de ganhar uma versão física. Em outros casos, o caminho pode ser inverso: elementos produzidos artesanalmente são digitalizados e transformados em novas experiências visuais.
Essa combinação ajuda a romper uma divisão que durante muito tempo separou moda física e digital. Em vez de enxergar os dois universos como concorrentes, o designer trabalha com a ideia de que eles podem fazer parte de um único processo criativo.
Inteligência artificial vira ferramenta de criação
Um dos pontos mais relevantes do projeto está na forma como a IA é utilizada. A tecnologia não aparece necessariamente como substituta do estilista, mas como uma ferramenta adicional para experimentar formas, volumes, texturas e ambientes.
Goec já utiliza inteligência artificial, modelagem tridimensional e Mixed Reality em seu processo de criação. O designer também desenvolve coleções virtuais e trabalha com avatares e representações digitais do corpo humano.
Essa abordagem mostra uma possível direção para a indústria: designers podem testar conceitos virtualmente antes de produzir peças físicas, diminuindo a necessidade de desenvolver inúmeras amostras durante determinadas etapas da criação.
Desfile deixa de existir apenas no mundo físico
A transformação também alcança a própria ideia de passarela. Tradicionalmente, uma coleção é apresentada por modelos caminhando diante de compradores, jornalistas e convidados.
As tecnologias digitais permitem ampliar esse formato. Cenários virtuais, avatares, animações, inteligência artificial e experiências imersivas podem complementar ou até criar novas formas de apresentação das roupas.
O BLACK EYE explorou justamente essa relação entre artesanato físico e inteligência de máquina. O resultado colocou em discussão onde termina o trabalho manual e onde começa o processo digital.
Moda digital pode mudar produção
Além da estética, existe uma discussão econômica e ambiental por trás dessas ferramentas. Desenvolver uma coleção envolve produção de protótipos, testes, materiais, transporte e diferentes etapas antes de uma peça chegar ao consumidor.
Ambientes digitais permitem experimentar determinadas ideias antes de transformá-las em produtos físicos. Goec já defendeu processos nos quais uma espécie de guarda-roupa digital pode ser criado inicialmente de maneira virtual e posteriormente produzido fisicamente conforme a demanda.
Isso não significa que tecidos, costura e técnicas artesanais desaparecerão. Pelo contrário: projetos híbridos procuram justamente combinar o conhecimento tradicional da moda com ferramentas capazes de ampliar as possibilidades do designer.
Berlin Fashion Week vira laboratório para novas experiências
O desfile BLACK EYE aconteceu oficialmente em 2 de julho de 2026, dentro da programação da Berlin Fashion Week. O calendário oficial registrou a apresentação de Taskin Goec pela PLATTE às 18h no Lobe Block.
A repercussão voltou a ganhar força em agosto com uma análise publicada pela Keyi Magazine, que classificou a apresentação como uma experiência capaz de desafiar o formato tradicional dos fashion shows.
A própria trajetória do designer ajuda a explicar essa proposta. Sua formação e seus trabalhos transitam entre moda, tecnologia e produção digital, com experiências envolvendo inteligência artificial, design tridimensional e realidade mista.
O futuro das passarelas será híbrido?
A experiência não significa que os tradicionais desfiles presenciais estejam próximos do fim. Grandes semanas de moda continuam dependendo da presença física de modelos, estilistas, compradores, jornalistas e convidados.
O que projetos como BLACK EYE indicam é a possibilidade de surgimento de um formato híbrido. Uma coleção poderá existir simultaneamente como roupa física, peça digital, conteúdo produzido com IA e experiência destinada a ambientes virtuais.
Para as marcas, isso abre novas possibilidades de comunicação. Para os designers, significa um conjunto maior de ferramentas criativas. E, para o público, a experiência de acompanhar um desfile pode deixar de depender exclusivamente de uma passarela convencional.
A combinação entre inteligência artificial, design 3D, artesanato e moda digital coloca o BLACK EYE como exemplo de uma transformação mais ampla. Se essa tendência avançar, a tecnologia não deverá simplesmente substituir a passarela tradicional — poderá ampliar o significado do que chamamos de desfile de moda.
Fontes:
- Keyi Magazine — PLATTE Presents TASKIN GOEC: Redefining the Fashion Show Through AI and Digital Craftsmanship — publicada em 10/08/2026. É a fonte da repercussão atual e detalha o BLACK EYE, os 25 looks digitais, mais de 800 convidados e o processo que combina tecidos reais, experimentação artesanal e IA. (Keyi Magazine)
- Berlin Fashion Week — programação oficial — confirma oficialmente que a apresentação de Taskin Goec pela PLATTE ocorreu em 2 de julho de 2026, às 18h, no Lobe Block, em Berlim. (Semana de Moda de Berlim)
- PLATTE — página oficial do evento TASKIN GOEC — descreve a coleção como resultado do encontro entre artesanato físico e inteligência de máquina, com experimentos analógicos, roupas reais e tecnologia generativa. (Platte Berlin)
- Harper’s Bazaar Brasil — Semana de Moda de Berlim coloca inteligência artificial em foco — reportagem brasileira que explica como o BLACK EYE substituiu a passarela convencional por telas gigantes, nas quais modelos gerados por IA apresentaram 25 looks ainda não produzidos fisicamente. (Harper’s Bazaar)
- Berlin Fashion Week — perfil oficial de Taskin Goec — explica o método do designer, no qual a IA é treinada com sua própria linguagem criativa e utilizada para gerar variações posteriormente selecionadas e refinadas por ele. (Semana de Moda de Berlim)
