A Cartonale, fabricante de soluções em plástico corrugado com plantas de produção em Cajamar, em São Paulo, e em Maceió, em Alagoas, zerou a emissão de carbono do consumo de mais de 16 mil megawatts-hora de energia elétrica. O reconhecimento vem de um certificado emitido pela Trinity Energias Renováveis. O número dá uma ideia do tamanho da conta de luz de uma indústria que transforma resina plástica em chapas e embalagens todos os dias.
O certificado registra a redução de 100% da emissão de carbono proveniente do consumo de 16.169,148 MWh, obtida com a compra de energia renovável. Entender como esse resultado é medido mostra o que ele significa e também até onde ele vai.
De onde vem a emissão de uma conta de luz?
Uma fábrica não precisa ter chaminé para emitir gases de efeito estufa. Parte da eletricidade que chega pela rede é gerada em usinas que queimam combustíveis fósseis, e a emissão dessas usinas é atribuída, proporcionalmente, a quem consome a energia.
O GHG Protocol, principal referência internacional de inventário de emissões, classifica esse tipo de emissão como indireta e a separa das emissões diretas da própria operação. Por isso, uma indústria pode reduzir significativamente sua pegada sem trocar uma única máquina: basta alterar a origem da energia que compra.
O que o certificado mede, e como?
No caso da Cartonale, a energia adquirida vem de fontes renováveis incentivadas pelo governo: eólica, solar, biomassa, pequenas centrais hidrelétricas (PCH) e centrais geradoras hidrelétricas (CGH). A geração nessas fontes não depende da queima de combustíveis fósseis.
A metodologia usada pela certificadora segue o Programa Brasileiro GHG Protocol, principal programa nacional para qualificação das emissões de gases de efeito estufa. Ela também é compatível com os métodos de quantificação do Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática, o IPCC. Essa aderência importa porque permite comparar o resultado com inventários de outras empresas e usá-lo em relatórios que seguem os mesmos critérios.
Do megawatt-hora à árvore: como ler os números?
A emissão evitada foi de 1.406,18 toneladas de CO2 equivalente, proporcional ao consumo certificado. Dividindo um número pelo outro, chega-se a cerca de 87 quilos de CO2 equivalente para cada megawatt-hora que deixou de vir de fontes emissoras.
Para traduzir esse volume em algo palpável, o certificado o compara ao plantio de 9.843 árvores em um projeto de reflorestamento. A comparação não significa que árvores foram plantadas. Ela indica quanto carbono uma floresta desse porte precisaria absorver para compensar uma emissão que, neste caso, simplesmente não ocorreu.
O limite do selo, e por que ele importa?
Conforme informa a Cartonale, o resultado corresponde a “carbono neutro no consumo de energia”. A precisão da expressão é relevante: o dado trata da eletricidade, e não de todas as emissões ligadas à fabricação, como o transporte de insumos ou a distribuição de produtos.
Essa distinção protege a credibilidade do dado. Clientes corporativos que analisam fornecedores costumam separar as categorias de emissão, e um número bem delimitado resiste melhor a uma auditoria do que uma declaração ampla de neutralidade. Em outras palavras, saber exatamente o que foi zerado vale mais do que um selo genérico.
Energia, extrusão e o produto final
Na Cartonale, a eletricidade alimenta principalmente o processo de extrusão, que transforma o polipropileno em uma chapa de corpo único com estrutura alveolar. É dessa chapa que saem produtos como caixas retornáveis, mangas de pallet, separadores e painéis para linha branca.
Quando a energia dessa etapa vem de fonte renovável, o benefício acompanha o produto até o cliente. Uma embalagem que já é reutilizável e reciclável passa a ter também uma origem energética de baixa emissão, informação útil para empresas que precisam reportar o impacto da própria cadeia. A empresa reforça essa linha ao declarar foco no desenvolvimento de tecnologias e matérias-primas que melhorem o uso de recursos naturais e reduzam impactos sociais e ambientais.
O que muda quando a energia entra na conta?
Durante muito tempo, a indústria tratou a eletricidade apenas como custo operacional. A possibilidade de escolher a origem da energia e comprovar essa escolha com metodologia reconhecida transformou a conta de luz em indicador ambiental.
Para quem compra embalagens, isso traz uma pergunta nova na avaliação de fornecedores: de onde vem a energia que fabrica o que estou comprando? Respostas sustentadas por certificação, com números verificáveis e escopo claro, tendem a pesar cada vez mais nessa decisão.
