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O que a Hisha acrescenta ao próprio vocabulário ao chegar à SPFW N61

Redação Jornal Fashion
Redação Jornal Fashion Publicado outubro 29, 2026
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6 Min de leitura
Modelo posa envolta por tecidos esvoaçantes e semitransparentes em uma composição de moda conceitual.

A Hisha levou para a São Paulo Fashion Week N61 uma coleção que funciona como um exercício de expansão da própria identidade. Na apresentação de 16 de outubro de 2026, a marca mineira comandada pela estilista Giovanna Resende preservou o gosto pelo excesso, mas acrescentou novas proporções, looks masculinos e referências visuais associadas às paisagens do interior de Minas Gerais.

O resultado combina bordados, pedrarias, metais e transparências em uma passarela de forte impacto ornamental. A estreia em São Paulo não representa apenas a entrada da etiqueta em um dos principais eventos de moda do país: também evidencia como uma grife autoral pode transportar repertórios regionais para uma linguagem contemporânea, sem abandonar os códigos que já aproximaram a Hisha do público jovem.

Entre o repertório mineiro e a estética maximalista

Segundo a ELLE Brasil, a coleção parte de referências visuais do interior de Minas Gerais para construir uma imagem carregada de textura, brilho e contraste. A inspiração não aparece como reprodução literal de uma paisagem, mas como um conjunto de elementos traduzidos em materiais, adornos e formas de grande presença.

Entre os recursos usados pela marca estão contas, canutilhos, pedras naturais e metais. Esses detalhes reforçam a vocação maximalista da Hisha e dão continuidade a uma abordagem decorativa que já integra o repertório da grife. Ao mesmo tempo, a coleção amplia a composição das peças com golas altas, mangas bufantes e ombros arredondados, criando uma silhueta mais estruturada.

A proposta também se apoia em acessórios de grandes proporções. Cintos cravejados com pedras naturais e colares volumosos aparecem como elementos capazes de reorganizar o look, deixando de ser apenas complementos. Na visão apresentada pela marca, o styling participa diretamente da construção da imagem e acentua a teatralidade das roupas.

Elementos conhecidos ganham novas combinações

A Hisha mantém peças associadas à sua trajetória recente, como modelos boho, corsets, tops de lingerie, minissaias, calças de renda e itens ornamentados. A permanência desses códigos ajuda a reconhecer a assinatura da marca, enquanto a combinação entre eles sinaliza uma tentativa de amadurecer e diversificar o vocabulário visual.

O movimento é importante porque a coleção não se limita a apresentar uma sequência de tendências isoladas. A presença de transparências e lingerie dialoga com a sensualidade já explorada pela etiqueta, enquanto os volumes e as golas altas acrescentam uma dimensão mais dramática. As mangas bufantes e os ombros arredondados, por sua vez, alteram a proporção do corpo e afastam a proposta de uma leitura exclusivamente delicada ou boêmia.

A entrada de looks masculinos amplia esse campo de experimentação. Sem romper com o caráter ornamentado da coleção, a Hisha passa a testar como seus materiais, acabamentos e acessórios podem circular em uma apresentação menos restrita ao guarda-roupa feminino. Essa escolha reforça a busca por uma identidade mais abrangente, ainda ancorada na exuberância que diferencia a marca.

Da Rio Fashion Week ao calendário nacional

A estreia na SPFW N61 acontece depois da passagem da Hisha pela Rio Fashion Week, movimento que ajuda a entender o momento atual da grife. A chegada a São Paulo coloca o trabalho de Giovanna Resende diante de um público mais amplo e insere a marca mineira em uma vitrine nacional dedicada à criação autoral e às diferentes direções da moda brasileira.

O calendário tem relevância adicional por reunir apresentações que integram a programação de semanas de moda de 2026. Em sua cobertura sobre as principais datas do circuito, a ELLE Brasil contextualiza a São Paulo Fashion Week entre os eventos importantes do ano para o setor. Nesse ambiente, a presença da Hisha evidencia a abertura do calendário para novos nomes e propostas que chegam de diferentes regiões.

Para uma marca criada em Minas Gerais, esse deslocamento entre circuitos regionais e eventos de alcance nacional também produz uma leitura sobre a diversidade da moda brasileira. A coleção não abandona sua origem para se adequar à passarela paulista. Ao contrário, usa referências do interior mineiro como ponto de partida para afirmar uma estética própria diante de uma audiência mais ampla.

Uma nova etapa para Giovanna Resende

O trabalho apresentado em 16 de outubro sugere uma nova etapa na trajetória de Giovanna Resende à frente da Hisha. A estilista conserva os elementos que contribuíram para a identificação da marca entre consumidores jovens, mas testa novas possibilidades de volume, acessórios, gêneros e acabamento.

Essa combinação é o principal aspecto da estreia: a Hisha não troca sua personalidade maximalista por uma proposta completamente diferente, nem repete de maneira estática fórmulas já conhecidas. A marca amplia o repertório ao aproximar bordados, pedrarias, transparências e metais de uma construção mais volumosa e abrangente.

Na SPFW N61, a grife mineira apresenta, portanto, uma moda que transforma memória regional em linguagem de passarela. O resultado conecta o interior de Minas Gerais, a produção autoral e o desejo de dialogar com a geração Z, enquanto consolida a presença de Giovanna Resende entre os nomes que buscam renovar o calendário brasileiro.

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