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Jornal Fashion > Blog > Notícias > Demografia em transformação: como o envelhecimento molda o mercado funerário no Brasil
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Demografia em transformação: como o envelhecimento molda o mercado funerário no Brasil

Diego Velázquez
Diego Velázquez Publicado junho 19, 2026
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7 Min de leitura
Tiago Oliva Schietti
Tiago Oliva Schietti

Tiago Schietti, empresário do setor cemiterial e funerário, acompanha um movimento que começa a aparecer com clareza nos números da demografia brasileira: o país não está apenas envelhecendo, está envelhecendo em um ritmo que pressiona setores de serviços que, até pouco tempo, não precisavam pensar em escala e planejamento de longo prazo. A expectativa de vida nacional já supera os 76 anos, e a base de idosos no país aproxima-se de 32 milhões de pessoas, um contingente que redesenha a curva de demanda de praticamente toda a cadeia de cuidado com o fim da vida.

Esse movimento demográfico não é uma novidade recente, mas seus efeitos práticos sobre o mercado funerário começam a se tornar visíveis apenas agora, à medida que a geração que mais envelhece também é a que mais valoriza planejamento, previsibilidade e organização financeira. O setor, que reúne mais de 11 mil empresas entre funerárias, cemitérios, crematórios e administradoras de planos, segundo dados do Sindicato dos Cemitérios e Crematórios Particulares do Brasil (Sincep), movimenta hoje cerca de R$ 13 bilhões por ano no país.

A questão que se impõe para os próximos anos é menos sobre se a demanda vai crescer, e mais sobre como o setor vai se preparar para absorvê-la sem comprometer qualidade e capacidade operacional.

Por que a transição populacional no Brasil é percebida com lentidão, mas seus efeitos são rápidos?  

O envelhecimento populacional brasileiro segue uma trajetória que estudos demográficos já vinham descrevendo há décadas, mas que ganhou velocidade nos últimos anos. Projeções indicam que o país deve ter mais de 30% de sua população composta por idosos até 2050, um horizonte que, embora pareça distante, já começa a influenciar decisões de investimento e planejamento estratégico de empresas que atuam na ponta final dessa cadeia demográfica.

Esse tipo de mudança estrutural costuma ser gradual em sua percepção pública, mas abrupto em seus efeitos econômicos quando a curva atinge determinado patamar. Segundo Tiago Schietti, é exatamente esse ponto de inflexão que o setor funerário brasileiro começa a atravessar agora.

O paradoxo da demanda crescente com infraestrutura limitada

O Brasil registra hoje cerca de 1,3 milhão de óbitos por ano, segundo o IBGE, número que tende a crescer de forma sustentada conforme a população envelhece. Esse crescimento de demanda, no entanto, encontra um obstáculo recorrente: a infraestrutura física de cemitérios e crematórios não se expandem na mesma velocidade, especialmente em regiões metropolitanas onde o espaço urbano já é escasso e caro.

Tiago Oliva Schietti
Tiago Oliva Schietti

Na avaliação do empresário do setor cemiterial e funerário, Tiago Schietti, esse descompasso entre demanda e oferta cria uma pressão que tende a se intensificar nos próximos anos, exigindo decisões de investimento em capacidade que, historicamente, eram tomadas de forma reativa, e não estratégica.

Quando o cliente passa a se planejar antes da urgência

Dentre a análise de Tiago Schietti, a mudança mais significativa provocada pelo envelhecimento populacional não está apenas no volume de demanda, mas no comportamento de quem a gera. Famílias com membros mais idosos passam a buscar planejamento funerário com anos de antecedência, tratando a decisão como parte natural da organização financeira doméstica, e não como algo a ser resolvido sob pressão emocional.

Pesquisa da Amar Assist Insurtech indica que cerca de 73% dos brasileiros já demonstram interesse em planos funerários, principalmente para evitar burocracia e gastos imprevistos em um momento de dor. Esse dado sugere que a antecipação deixou de ser exceção e está se tornando comportamento predominante entre famílias que vivenciam de perto o envelhecimento de seus parentes.

Quais são os desafios da gestão de carteiras de clientes no novo modelo de receita funerária?  

A combinação entre crescimento de demanda e antecipação de decisões está acelerando a migração de um modelo de receita pontual, pago apenas no momento do óbito, para modelos de receita recorrente baseados em planos de assistência familiar. Em linha com o que expõe a literatura sobre mudanças no padrão de consumo brasileiro, essa transição financeira aproxima o setor funerário de práticas já consolidadas em segmentos como seguros e saúde suplementar.

Esse novo modelo de receita exige das empresas maior sofisticação na gestão de carteiras de clientes e obrigações de longo prazo, já que os compromissos assumidos hoje podem levar décadas para se materializar. Trata-se de uma mudança estrutural que altera profundamente a lógica financeira de um setor historicamente acostumado a fluxos de caixa imprevisíveis.

Como o envelhecimento populacional vai impactar o mercado funerário brasileiro nos próximos anos?  

A transformação provocada pela curva demográfica brasileira ainda está em estágio inicial em termos de adaptação estrutural do mercado funerário. Os próximos anos devem exigir investimento contínuo em capacidade física, sistemas de gestão e modelos financeiros capazes de sustentar compromissos de longo prazo assumidos com famílias que se planejam com cada vez mais antecedência.

Esse cenário coloca empresários como Tiago Schietti diante de um desafio que combina oportunidade e responsabilidade: atender, com qualidade, um volume de demanda que deve continuar crescendo de forma estrutural pelas próximas décadas, em um setor que historicamente operou sob lógica reativa e que agora precisa aprender a planejar com a mesma seriedade exigida por outros mercados de serviços essenciais.

Autor: Diego Rodríguez Velázquez.

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