Quando investidores e analistas avaliam o desempenho ESG de uma empresa brasileira, os critérios ambientais costumam se concentrar em emissões de carbono, consumo de água e uso de energia renovável. Segundo Marcello José Abbud, diretor da Ecodust Ambiental e referência em tecnologias inovadoras para tratamento de resíduos sólidos urbanos, a gestão de resíduos sólidos raramente ocupa posição de destaque nessa análise, apesar de representar um dos impactos ambientais mais concretos e mensuráveis da operação corporativa. O especialista frisa, ainda, que essa lacuna vem se tornando progressivamente mais custosa para as organizações.
A negligência com a gestão de resíduos no contexto ESG não é apenas uma questão de reporte. Isso porque ela tem consequências práticas que vão desde passivos ambientais não contabilizados até riscos regulatórios crescentes, passando pela perda de acesso a mercados que já exigem comprovação de destinação adequada como critério de fornecimento. Portanto, empresas que ainda tratam o descarte de resíduos como uma despesa operacional de segunda ordem estão acumulando um risco que tende a se materializar de forma abrupta quando a fiscalização ou a pressão de mercado aumenta.
O que os frameworks internacionais já exigem?
Os principais frameworks de reporte ESG utilizados globalmente, incluindo o GRI, o SASB e o TCFD, já possuem indicadores específicos para gestão de resíduos. Na prática, eles exigem que as empresas reportem volume total gerado, percentual destinado a aterros, percentual reciclado ou valorizado e existência de metas de redução com prazos definidos. Em contrapartida, organizações que não conseguem responder a essas questões com dados confiáveis enfrentam dificuldades crescentes para obter certificações, acessar linhas de crédito verde e manter relacionamento com investidores institucionais que adotam critérios ESG rigorosos.
No entendimento de Marcello José Abbud, o cenário brasileiro ainda apresenta um gap significativo entre as exigências dos frameworks internacionais e a capacidade de reporte da maioria das empresas. Parte desse gap é técnica: muitas organizações simplesmente não têm sistemas para medir e registrar adequadamente o volume e o destino de seus resíduos. Parte é cultural: o tema ainda não recebe a atenção da alta liderança que recebe dos outros indicadores ambientais.
Resíduos industriais e o passivo invisível
Além dos resíduos gerados nas operações cotidianas, muitas empresas brasileiras carregam passivos históricos de resíduos industriais depositados de forma inadequada em períodos anteriores à regulação ambiental mais rigorosa. Esses passivos, quando identificados e quantificados, representam obrigações de remediação que podem ter valor significativo no balanço patrimonial e impacto direto na avaliação de risco da empresa.

Marcello José Abbud e a Ecodust Ambiental têm desenvolvido expertise justamente no diagnóstico e na proposição de soluções para esses passivos ambientais, contribuindo para que empresas transformem riscos não contabilizados em programas estruturados de remediação e valorização.
ESG que gera valor além da conformidade
A abordagem mais avançada de ESG no campo dos resíduos vai além da conformidade regulatória e do reporte de indicadores. Afinal, ela trata os resíduos como recursos potenciais, identificando oportunidades de valorização energética, reciclagem industrial e geração de receita a partir de materiais que seriam simplesmente descartados. Empresas que adotam essa perspectiva relatam reduções de custo operacional, novas fontes de receita e melhora nos indicadores de reputação junto a clientes e parceiros.
Para Marcello José Abbud, essa transformação exige, em primeiro lugar, um diagnóstico preciso do perfil de geração de resíduos da organização, seguido pela identificação das tecnologias e dos mercados disponíveis para cada tipo de material. É um processo que demanda conhecimento técnico especializado, mas que tende a se pagar rapidamente quando bem estruturado.
O momento em que ignorar deixa de ser uma opção
A tendência regulatória no Brasil aponta para exigências crescentes de destinação adequada e comprovação de conformidade ambiental em processos de licitação, acesso a crédito e exportação. Em razão disso, empresas que anteciparem essa transição estarão em posição mais favorável do que as que esperarem a obrigação chegar como imposição externa.
Especialistas como Marcello José Abbud identificam nesse momento uma oportunidade estratégica: estruturar a gestão de resíduos como componente central da agenda ESG, não como item de checklist, antes que o custo de não fazê-lo se torne maior do que o custo de agir.
Autor: Diego Rodríguez Velázquez
